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Amadora, metida a poeta. Não me levem muito a sério...rss!

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MENINO CHORANDO NA NOITE




Na noite lenta e morna, morta noite sem ruído, um menino
                                                                                {chora.

O choro atrás da parede, a luz atrás da vidraça
perdem-se na sombra dos passos abafados, das vozes extenuadas.
E no entanto se ouve até o rumor da gota de remédio caindo
                                                                             {na colher.

Um menino chora na noite, atrás da parede, atrás da rua,
longe um menino chora, em outra cidade talvez,
talvez em outro mundo.

E vejo a mão que levanta a colher, enquanto a outra sustenta
                                                                               {a cabeça.

e vejo o fio oleoso que escorre pelo queixo do menino,
escorre pela rua, escorre pela cidade (um fio apenas).
E não há ninguém mais no mundo a não ser esse menino
                                                                        {chorando.

Carlos Drummond de Andrade

DOS "POEMAS POSSÍVEIS"

 Ah, essas letras!  Que formam essas palavras, esses versos, esses sentimentos tão profundos e tão raros...
S. May

Diz tu por mim, silêncio
Não era hoje um dia de palavras,
Intenções de poemas ou discurssos,
Nem qualquer dos caminhos era nosso.
A definir-nos bastava um atco só,
E já que nas palavras não me salvo,
Diz tu por mim, silêncio, o que não posso.
José Saramago, em "Os poemas possíveis"














ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, UMA DISTOPIA?

Pensando sobre o corona vírus

Se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos façamos tudo para não viver inteiramente como animais.
José Saramago , Ensaio sobre a cegueira. Lisboa: Editorial Caminho. 1995.

Existe um livro a ser indicado hoje, esse livro é O ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA , José Saramago.
Li "a duras penas", e ao terminar eu já não era a mesma pessoa. Me tornei um pouco menos pior...
S. May
Assim está escrito na contra capa
“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.” Livro dos Conselhos
Imagem por mim
Imagem: Pinterest


PONDERAÇÕES



NATAL

Nasce um Deus. Outros morrem. A verdade
Nem veio nem se foi: o Erro mudou.
Temos agora uma outra Eternidade,
E era sempre melhor o que passou.
Cega, a Ciência a inútil gleba lavra.
Louca, a Fé vive o sonho do seu culto.
Um novo Deus é só uma palavra.
Não procures nem creias: tudo é oculto.
– Fernando Pessoa, em ‘Poesias’




*Natal dos Covardes*
Escrito por Marcelo Freixo.


O que diriam os pregadores da intolerância, os obreiros do justiçamento, os apóstolos do olho por olho dente por dente sobre um homem que manifestou seu amor por um ladrão condenado e lhe prometeu o paraíso? Brandiriam o velho sermonário: bandido bom é bandido morto?

Hoje, quase todos os brasileiros, inclusive os cônscios moralistas da violência que amarram adolescentes em postes para linchá-los, se reunirão com suas famílias para celebrar mais uma vez o nascimento desse homem.

Sujeito, aliás, que respondeu à provocação: está com pena? Então, leva para casa! Pois, é. Jesus Cristo prometeu levar o ladrão para casa. "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso", diz o evangelho de Lucas.

Jesus optou pelos oprimidos e renegados, pelos miseráveis, leprosos, prostitutas, bandidos. Solidarizou-se com o refugo da sociedade em que viveu, contestou a ordem que os excluiu.

O Cristo bíblico foi um dos primeiros e mais inspiradores defensores dos direitos humanos e morreu por isso. Foi perseguido, supliciado e executado pelo Império Romano para servir de exemplo.

Assim como servem de exemplo os jovens que são espancados e crucificados em postes, na ilusão de que a violência se resolve com violência. Conhecemos a mensagem cristã, mas preferimos a prática romana. Somos os algozes.

Questiono-me sobre o que seria dele em nossa Jerusalém de justiceiros. Não sei se sobreviveria. É perigoso defender a tolerância, o amor ao próximo e o perdão quando o ódio é tão banal. Como escreveu Guimarães Rosa: "quando vier, que venha armado".

Não é difícil imaginar por onde ele andaria. Sem dúvida, não estaria com os fariseus que conclamam a violência e fazem negócios, inclusive políticos, em seu nome.

Caminharia pelos presídios, centros de amnésia da nossa desumanidade, onde entulhamos aqueles que descartamos e queremos esquecer, os leprosos do século 21. Impediria que homossexuais fossem apedrejados, mulheres violentadas e jovens negros linchados em praça pública. Estaria com os favelados, sertanejos, sem tetos e sem terras.

Por ironia, no próximo Natal, aqueles que defendem a redução da maioridade penal, pregam o endurecimento do sistema prisional, sonham com a pena de morte e fingem não ver os crimes praticados pelo Estado contra os pobres receberão um condenado em suas casas.

Diante da mesa farta, espero que as ideias e a história desse homem sirvam, pelo menos, como uma provocação à reflexão. Paulo Freire dizia que amar é um ato de coragem. Deixemos então o ódio para os covardes.

Feliz Natal.

Marcelo Freixo é historiador e deputado estadual (PSOL-RJ). Texto publicado na “Folha de S.Paulo” em 25 de dezembro de 2015. Mas, continua atual.
…a graça do Senhor Jesus seja com todos!
Apocalipse 22 : 21


CHICO BUARQUE, ESSA TENUIDADE...


Imagem: Pixabay
O beijo - Gustav Klint


TATUAGEM 
Chico Buarque

Quero ficar no teu corpo Feito tatuagem Que é pra te dar coragem Pra seguir viagem Quando a noite vem E também pra me perpetuar Em tua escrava Que você pega, esfrega Nega, mas não lava Quero brincar no teu corpo Feito bailarina Que logo se alucina Salta e te ilumina Quando a noite vem E nos músculos exaustos Do teu braço Repousar frouxa, murcha, farta, Morta de cansaço Quero pesar feito cruz Nas tuas costas Que te retalha em postas Mas no fundo gostas Quando a noite vem Quero ser a cicatriz Risonha e corrosiva Marcada a frio Ferro e fogo Em carne viva Corações de mãe, arpões Sereias e serpentes Que te rabiscam O corpo todo Mas não sentes

VIA ESPESSA

"Da carne de mulheres, querem nascer os homens. 
E o poeta preexiste, entre a luz e o sem-nome."


Danae - Gustav Klint

I
De cigarras e pedras, querem nascer palavras.
Mas o poeta mora
A sós num corredor de luas, uma casa de águas.
De mapas-múndi, de atalhos, querem nascer viagens. 
Mas o poeta habita
O campo de estalagens da loucura.
Da carne de mulheres, querem nascer os homens. 
E o poeta preexiste, entre a luz e o sem-nome.

Hilda Hilst

ASSIM FALOU DARCY RIBEIRO




"Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver autonomamente e fracassei.
Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu."





PASSAGEM DO ANO



O último dia do ano
Não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
E novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
Farás viagens e tantas celebrações
De aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia
E coral,
Que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
Os irreparáveis uivos
Do lobo, na solidão.
O último dia do tempo
Não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
Onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
Uma mulher e seu pé,
Um corpo e sua memória,
Um olho e seu brilho,
Uma voz e seu eco.
E quem sabe até se Deus...
Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa, já se expirou, outras espreitam a morte,
Mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
E de copo na mão
Esperas amanhecer.
O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
O recurso da bola colorida,
O recurso de Kant e da poesia,
Todos eles... e nenhum resolve.
Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
Lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.
Carlos Drummond de Andrade

VERSOS ÍNTIMOS

Foi assim. Ouvindo minha mãe declamar poemas que me encantei pelas palavras, bem antes de aprender sobre as letras, pelas quais me apaixonei.
Isso explica a descrição do blog, no lay out:

"Meu caminho são as letras. Minha estrada e meus atalhos, ponto de partida e linha de chegada!"

Sandra May


Imagens autorais

Vês! Ninguém assistiu ao formidável 
Enterro de sua última quimera. 
Somente a Ingratidão – esta pantera – 
Foi tua companheira inseparável! 
Acostuma-te à lama que te espera! 
O homem, que, nesta terra miserável, 
Mora, entre feras, sente inevitável 
Necessidade de também ser fera.  
Toma um fósforo. Acende teu cigarro! 
O beijo, amigo, é a véspera do escarro, 
A mão que afaga é a mesma que apedreja.  
Se alguém causa inda pena a tua chaga, 
Apedreja essa mão vil que te afaga, 
Escarra nessa boca que te beija!
Augusto dos Anjos
1884 - 1914

Antes de sair deixe seu comentário, crítica ou sugestão, você me ajuda a construir esse blog, obrigada.
Sandra May


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VIBRAÇÕES

Mandala, circulo, circunferência, energia vital












SPINOZA





























Cada qual deseja que os outros vivam consoante a sua própria compleição, aprovem o que ele próprio aprova, e rejeitem o que ele próprio rejeita. Donde resulta que, querendo todos ser os primeiros, surjam conflitos entre eles, procurem esmagar-se uns aos outros e que o vencedor se glorifique mais por ter triunfado do seu rival que por haver obtido qualquer vantagem para si mesmo.

 Baruch Spinoza (1632-1677), filósofo holandês.

GOSTO QUANDO ME FALAS DE TI

Imagem: Pixabay

Gosto quando me falas de ti…
e vou te percorrendo
e vou descortinando a tua vida
na paisagem sem nuvens,
cenário de meus desejos tranquilos
Gosto quando me falas de ti…
e então percebo que antes mesmo de chegar,
me adivinhavas,
que ninguém te tocou, senão o vento
que não deixa vestígios,
e se vai desfeito em carícias vãs…
Gosto quando me falas de ti…
quando aos poucos a luz
vasculha todos os cantos de sombra,
e eu só te encontro
e te reencontro em teus lábios,
apenas pintados, maduros,
mas nunca mordidos antes da minha audácia.
Gosto quando me falas de ti…
e muito mais adiantas
em teus olhos descampados, sem emboscadas,
e acenas a tua alma, sem dobras, como um lençol distendido,
e descortino o teu destino,
como um caminho certo,
cuja primeira curva foi o nosso encontro.
Gosto quando me falas de ti…
porque percebo que te desnudas como uma criança,
sem maldade,
e que eu cheguei justamente para acordar tua vida
que se desenrola inútil
como um novelo que nos cai no chão…
J.G. de Araujo Jorge (1914/1987)
“Quatro Damas” 1a ed. 1965
Publicado originalmente em Esconderijo Secreto

Via Espessa

"Da carne de mulheres, querem nascer os homens. 
E o poeta preexiste, entre a luz e o sem-nome."

Danae - Gustav Klint
I
De cigarras e pedras, querem nascer palavras.
Mas o poeta mora
A sós num corredor de luas, uma casa de águas.
De mapas-múndi, de atalhos, querem nascer viagens. 
Mas o poeta habita
O campo de estalagens da loucura.
Da carne de mulheres, querem nascer os homens. 
E o poeta preexiste, entre a luz e o sem-nome.
Hilda Hilst

VOLTAIRE, O FILÓSOFO ILUMINISTA

"O meu ofício é dizer o que penso." 
Voltaire


Voltaire era o pseudônimo (apelido) de François-Marie Arouet. Foi um importante ensaísta, escritor e filósofo iluminista francês. Nasceu na cidade de Paris, em 21 de novembro de 1694 e morreu, na mesma cidade, em 30 de maio de 1778 (aos 83 anos). Durante sua vida escreveu diversos ensaios, romances, poemas e até peças de teatro.

Biografia de Voltaire

Voltaire fazia parte de uma família nobre francesa. Estudou num colégio jesuíta da França, onde aprendeu latim e grego.

Em 1713, foi designado como secretário da embaixada da França na cidade de Haia (Holanda). Em 1726, em função de uma disputa com um nobre francês, foi preso na Bastilha por cinco meses. Libertado, foi exilado na Inglaterra, onde viveu na cidade de Londres entre os anos de 1726 e 1728.

Retornou para a França em 1728 e começou a divulgar ideias filosóficas, desenvolvidas na fase que viveu em Londres. Estas ideias baseavam-se, principalmente, nos pensamentos de Newton e John Locke.

Em 1734, publicou uma de suas grandes obras, Cartas Filosóficas, em que defende a liberdade ideológica, a tolerância religiosa e o combate ao fanatismo dogmático.
Em 1742, viajou para a cidade de Berlim, onde foi nomeado historiógrafo, acadêmico e cavaleiro da Câmara Real. Em função de conflitos, precisou sair da Alemanha e foi morar na Suíça.

Retornou para Paris em 1778, onde morreu neste mesmo ano, no dia 30 de maio.

Pensamento e ideias defendidas

- Voltaire foi influenciado, no campo das ideias, pelo cientista Isaac Newton e pelo filósofo John Locke.

- Defendia as liberdades civis (de expressão, religiosa e de associação).

- Criticou as instituições políticas da monarquia, combatendo o absolutismo. 

- Criticou o poder da Igreja Católica e sua interferência no sistema político.

- Foi um defensor do livre comércio, contra o controle do estado na economia.

- Foi um importante pensador do iluminismo francês e suas ideias influenciaram muito nos processos da Revolução Francesa e de Independência dos Estados Unidos.

Principais obras de Voltaire 

- Édipo, 1718 
- Mariamne, 1724 
- La Henriade, 1728 
- História de Charles XII, 1730 
- Brutus, 1730 
- Cartas filosóficas, 1734 
- Mondain, 1736 
- Epître sur Newton, 1736 
- Tratado de Matafísica, 1736 
- O infante pródigo, 1736 
- Elementos da Filosofia de Newton, 1738 
- Zulime, 1740 
- Zadig ou o destino, 1748 
- Le monde comme il va, 1748 
- Nanine, ou le Péjugé vaincu, 1749 
- O século de Luis XIV, 1751 
- Micrômegas, 1752 
- Essai sur les mœurs et l'esprit des Nations, 1756 
- Histoire des voyages de Scarmentado écrite par lui-même, 1756 
- Le Caffé ou l'Ecossaise, 1760 
- Tancredo, 1760 tr
- Histoire d'un bon bramin, 1761 
- La Pucelle d'Orléans, 1762 
- Tratado sobre a tolerância, 1763 
- Dicionário filosófico, 1764 
- Jeannot et Colin, 1764 
- Petite digression, 1766 
- O ingênuo, 1767 
- A princesa da Babilônia, 1768 
- Questions sur l'Encyclopédie, 1770 
- Le Cri du Sang Innocent, 1775 
- Dialogues d'Euhémère, 1777 
- Irene, 1778 
- Agathocle, 1779 

Fonte de pesquisa: Sua Pesquisa.com

A FLOR DO SONHO ou PRIMAVERANDO


FLORBELA ESPANCA

A Flor do Sonho alvíssima, divina
Miraculosamente abriu em mim,
Como se uma magnólia de cetim
Fosse florir num muro todo em ruína.
Pende em meu seio a haste branda e fina.
E não posso entender como é que, enfim,
Essa tão rara flor abriu assim!…
Milagre… fantasia… ou talvez, sina…
Ó Flor que em mim nasceste sem abrolhos,
Que tem que sejam tristes os meus olhos
Se eles são tristes pelo amor de ti?!…
Desde que em mim nasceste em noite calma,
Voou ao longe a asa da minh’alma
E nunca, nunca mais eu me entendi…
Florbela Espanca

QUANDO VIER A PRIMAVERA


Quando vier a Primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. 
A realidade não precisa de mim. 

Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma 

Se soubesse que amanhã morria 
E a Primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo. 

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. 
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. 
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. 
O que for, quando for, é que será o que é. 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 



QUANTO CUSTA PRODUZIR UM RICO?


Imagem: Pixabay

Não:  plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra; macadamizai estradas; fazei caminhos de ferro; construí passarolas de Ícaro, para andar, a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa, como tendes feito esta que Deus nos deu, tão diferente do que a que vivemos hoje. Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai.
-No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas-políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, a desmoralização, à infâmia, a ignomínia crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico.
-Que lhos digam no parlamento inglês, onde depois de tantas comissões de inquérito, já deve andar orçado o número de almas que é preciso vender ao diabo, o número de corpos que se tem de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como Sir Robert Peel, um mineiro, um banqueiro um granjeeiro, - seja o que for;  cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis.
Logo, a nação mais feliz não é a mais rica. Logo, o princípio utilitário é a mamona da injustiça e da reprovação. Logo...

There are more things in heaven and earth, Horatio,,
Than are dreamt of your phylosophy.

Fonte: Viagens na Minha Terra (1846) - Almeida Garrett
Grifos de um leitor

SARAMAGO - OS POEMAS POSSÍVEIS


José de Sousa Saramago ComSE • GColSE (GolegãAzinhaga16 de novembro de 1922 — TíasLanzarote18 de junho de 2010) foi um escritor português.
Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões[2], o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.[3] A 24 de Agosto de 1985 foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e a 3 de Dezembro de 1998 foi elevado a Grande-Colar da mesma Ordem, uma honra geralmente reservada apenas a Chefes de Estado.[4]
O seu livro Ensaio sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil, Uruguai e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O Fiel Jardineiro e Cidade de Deus). Em 2010 o realizador português António Ferreira adapta um conto retirado do livro Objecto Quase, conto esse que viria dar nome ao filme Embargo, uma produção portuguesa em co-produção com o Brasil e Espanha.
Nasceu em GolegãAzinhaga, no dia 16 de Novembro, embora o registo oficial apresente o dia 18 como o do seu nascimento. Saramago, conhecido pelo seu ateísmo e iberismo, foi membro do Partido Comunista Português e foi director-adjunto do Diário de Notícias. Juntamente com Luiz Francisco RebelloArmindo MagalhãesManuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Casado, em segundas núpcias, com a espanhola Pilar del Río, Saramago viveu na ilha espanhola de Lanzarote, nas Ilhas Canárias.
A 29 de Junho de 2007 constitui a Fundação José Saramago para a defesa e difusão da Declaração Universal dos Direitos Humanos e dos problemas do meio ambiente.[5] Em 2012 a Fundação José Saramago abre as suas portas ao público na Casa dos Bicos em Lisboa, presidida pela sua mulher Pilar del Río.
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