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Amadora, metida a poeta. Não me levem muito a sério...rss!

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MEUS SONHOS DE CRIANÇA



Imagem encontrada no G+

Eu sonhava em voar como os pássaros, acima, muito além das montanhas da minha amada serra, que me pareciam muros verdes, intransponíveis.
Minha imaginação me transportava através das imagens que via nos livros. Pessoas diferentes, aves e mamíferos...lagos e peixes! Como seriam aqueles peixes? Só conhecia sardinha morta. 
Queria conhecer o mar!
Conheci o mar e muito além dele, voei como os pássaros e fui além da linha do horizonte. Me perdi, tive medo, muito medo...chorei, sorri e depois voltei. Minha amada terra, no alto da mais bela serra me esperava! Contei a ela todas as minhas aventuras e desventuras, ela me abraçou, me acolheu como ao filho pródigo que retorna faminto e cansado. Terra mãe!
Ainda voo ( não cortaram minhas asas), pouso aqui e ali, e assim vou levando a vida até que a vida me leve para o derradeiro arremesso. Já não tenho sonhos!
Sandra May

A DOIS



[Dia 16]

Ele chegou em casa ainda era dia claro. Entrou, fechou a porta e não abriu as janelas. Fechou as cortinas e acendeu um abajur.
Estava cansado, exausto, vazio! Olhou o quarto desarrumado havia dias, desanimou ainda mais. Quis morrer, desistir. Lembrou da erva pura guardada no armário, foi até lá, desembrulhou e fez um bom cigarro.
Despiu-se inteiramente, sentou-se nu diante do grande espelho e acendeu o cigarro. O quarto  rodou, levitou, virou de cabeça pra baixo e pernas pro ar.
Do armário saíram roupas e mais roupas que desfilavam diante do espelho, atrás do homem que impávido, olhos fixos em si mesmo, pensava nela!
Sentiu um perfume, estremeceu inteiro... era ela, era dela, pra ela, por ela.
Mais um trago no cigarro e ela abraçou-o pelas costas, passou os dedos entre seus cabelos, beijou seus ombros e sussurrou alguma coisa suavemente em seus ouvidos, depois partiu sem que ele sequer percebesse o instante. Um frio percorreu a  coluna de cima abaixo, os  músculos do ventre se contraíram e ele e quase desmaiou; foram espasmos...
Levantou-se devagar e observou seu corpo no espelho a meia luz do abajur. Estava grávido, inteiramente grávido, absolutamente pleno de vida! Tinha sido ela, tinha sido dela, engravidara dela. Amava e amava tanto, e amava mais ainda...amava-se e amava a ela e respirava por si e respirava por ela.
Não percebeu que a noite já se fazia alta quando deu por si, vestido e animadamente conversando com as flores que dividiam com ele o apartamento. Foi uma longa conversa que só terminou quando ouviu o toque da campainha. Sentiu o coração disparar e temeu a morte que havia desejado.
Seria ela? Tinha certeza, tanta certeza que não olhou pelo visor, abriu a porta sorrindo.
Passados uns segundos ele fechou a porta e deu duas voltas na chave. As outras chaves ficaram oscilando como um pêndulo até que depois de algum tempo voltaram ao estado de repouso.
A empregada da casa tinha visto tudo, mas discretamente se recolheu sem dizer palavra.
Sandra May

Inspirado na música "Coisas que eu sei" - Dani Carlos