POSTAGENS RECENTES NO BLOG

BEM QUE TE QUIS




sobre o querer bem
bem que te quis
bem mais que esperava
porém
por
mais bem te quisesse
não foi o suficiente
e mais eu não sei querer
não posso querer e
nem quero querer mais

quisera eu
querer-te e cobrir-te
com meus cabelos perfumados
como um dia fiz

também quem me dera
que o circo se estabelecesse na cidade
afastaria os fantasmas,
e as crianças
as tristes crianças
comeriam algodão doce colorido
maçãs do amor
pipoca salgada e doce

mas o circo pegou fogo
tudo em cinzas
e as lágrimas sujas dos atores
escorreram formando sulcos
como pequenos afluentes
de rios que não desembocam em mar nenhum
se perdem nas secas faces
dos tristíssimos palhaços sem graça
e sem palcos

foi caro o preço
do ingresso cancelado
dinheiro devolvido
endereço esquecido

a cidade as nuvens os sorrisos
o som das bandinhas
as mulheres os velhos e as crianças
os homens e seus ofícios
as lavadeiras os agricultores
os carpinteiros e as costureiras
todos, todos
se pasmaram desiludidos
se confundiram
com a imagem diluída
dos pobres mambembes
sumindo na curva da estrada
de terra seca e empoeirada
debaixo de um sol escaldante
descalços e mal trapilhos
andrajos corpos
carregando nas costas
apenas um pouco do que sobrou (porque sempre sobra...)
um fiapo de esperança.
que eu já entendo por teimosia
May












PRA VOCÊ! (EDIÇÃO 2018)




Boa noite, meus amigos!
Como poderão confirmar pelo texto e comentários, esta postagem é de 2015. Não tenho tido vontade de escrever ultimamente, e também estou reorganizando este blog, razão pela qual estava fechado para o público. Então vou publicar novamente com a data atualizada...

Vamos fazer de conta que  me transmutei em golfinho, e sou eu quem está oferecendo esta rosa a cada um que aqui chegar...obrigada a todos e todas que estiveram e estão comigo, cada um no seu tempo, no nosso tempo.

Desejo Boas Festas, e que possamos permanecer juntos em 2019, num ambiente fraterno e amigo!
Abraços carinhosos!!! ❤️💜💚💙

A imagem foi retirada do G+

Você, que chegou hoje aqui!  Obrigada por visitar "Letras que se Movem".
Sem sua presença e participação esse blog não existiria mais...é você que tem me ajudado a compor estes dias.
Desejo um feliz Natal e que 2016 seja um ano de paz e reflexão para todos nós, que de alguma forma estivemos juntos no ano que finda.
Enquanto tiramos uns poucos dias sem postagens atualizadas, deixo essa rosa pra vocês, ela representa o meu carinho e respeito por todos. Também peço desculpas por alguns erros da minha parte...
No mais, fiquem todos bem, na paz que excede a todo entendimento (Filipenses 4. 7,) na paz daquele que faz aniversário no dia 25 de dezembro, Jesus Cristo, meu Senhor e Salvador!
Um beijo carinhoso
Sandra May

Sábado, 12 de dezembro de 2015

É MUITO AMARELO PRA POUCA ESPERANÇA



Ó amada terra mãe gentil!
Dirijo-me a ti com respeito e reverência
Ilibada terra de  ventre fértil
Seios fartos e leite em opulência

Ó amada terra
Salve salve!

Pindorama de palmeiras mortas
Salva-te como puderes
Teus filhos ingratos são surdos como portas
Sejam eles homens sejam mulheres

Ó amada terra
Salve salve!

Entre outras mil
És verde e amarela
Nomearam-te Brasil
Pra mim és aquarela

Agora vem o pior da história,
Pátria amada!

Seca teus seios e prepara teu ventre
Não pra alimentar os nascidos
Mas para digerir os abatidos, os mortos
Que hão de ser em grande número, mãe gentil
..
Mortos por homens de caminhos tortos
Que te fizeram menos verde
Te reduziram em amarela
Esquartejada e pálida
Dividida, fracionada
Que não rima com mais nada
Além de  jaula ou cela.
Sandra May


Poderá gostar também de
SANGUE PISADO


HOJE É SEGUNDA-FEIRA


Permitiu-se interromper o trabalho e respirar no jardim um perfume de estrelas.
A lua, tão ausente, e a chuva fina que persistia confortaram-na. Tudo estava certo no tempo e no espaço.
Lembrou-se da Oração da Serenidade, que aprendera quando frequentara um grupo Anônimo.
Ela fechou suavemente os olhos e entregou-se a meditação. Respirou profundamente várias vezes e orou. Depois agradeceu por ter tido forças para orar quando o desejo que sentia era o de beber. Beber muito e esquecer todas as dores que sentia. E beber mais e mais, até que acordasse sem dor de cabeça, sem vômitos, sem culpa, sem medo e sem recordações.
Ela queria acordar transformada em brisa suave;  não mais gente, nem bicho, apenas um elemento que pudesse refrescar a tarde das senhoras e dos senhores tristes e solitários que cochilavam sentados nos sofás rotos dos  asilos. Ela queria dar movimento às flores dos vasos da varanda, na tentativa de desviar os olhos  daqueles seres esquecidos e entregues à mais profunda solidão, do chão frio que parecia  convidá-los para o descanso merecido.

Depois de orar, sabendo que aquele momento era apenas uma trégua durante o combate, ela completou a oração dizendo: "Só por hoje - procurarei viver apenas um dia de cada vez, sem tentar resolver ao mesmo tempo todos os problemas da minha vida. Durante vinte e quatro horas apenas, poderei fazer alguma coisa que me encheria de pavor se eu pensasse que tinha de a fazer pelo resto da minha vida. 

Permaneceu no jardim por não sabe quanto tempo...

Pensou nas hortênsias que seu amado tinha plantado ali e que já haviam morrido, assim, prematuramente, como ele morrera. "Devem ter morrido de saudades", considerou.
Lembrou do aquário cheio de peixinhos vermelhos com que ele a presenteara, e refletiu também no quanto eles tinham rido juntos, deitados na mesma rede onde ela estava agora.
Não sentia saudade de nada e de ninguém, estava no momento "agora", onde só existe perfeição e bem-estar. A vida passava como um filme, e ela apenas observava, em estado de vigília.
Dormiu.

Acordou renovada com a certeza que tudo no universo estava certo mesmo, e que a soberba e a  vaidade dos homens os impede que conheçam o seu verdadeiro tamanho. Imensurável, colossal como o universo é a humanidade!
Talvez,  a ignorância e a cegueira fossem o motivo de não sentirem o perfume das estrelas em dias chuvosos e arrastados.
Sandra May

Observação: Não tenho direito de negar a  minha natureza...haja o que houver, quando as Letras Se Moverem, serão por amor e respeito à vida e ao próximo. O meu lado sombrio escreve em outro blog!

Aquilo que pensas ser o cume é apenas mais um degrau - Sêneca

 Imagem gratuita: Pixabay

Imagem de álbum de família, editada. (todos os direitos autorais reservados)


Poderá gostar também de

Kohelet (faz parte dos livros poéticos da Bíblia)

Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor.  Eclesiastes 1:18


Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás.
Reparte com sete, e ainda até com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra.
Estando as nuvens cheias, derramam a chuva sobre a terra, e caindo a árvore para o sul, ou para o norte, no lugar em que a árvore cair ali ficará.
Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará.
Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas.
Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão igualmente boas.
Certamente suave é a luz, e agradável é aos olhos ver o sol.
Porém, se o homem viver muitos anos, e em todos eles se alegrar, também se deve lembrar dos dias das trevas, porque hão de ser muitos. Tudo quanto sucede é vaidade.
Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas estas coisas te trará Deus a juízo.
Afasta, pois, a ira do teu coração, e remove da tua carne o mal, porque a adolescência e a juventude são vaidade.


Eclesiastes 11:1-10

PALAVRAS

Das palavras, as mais simples. Das simples, a menor”

 Winston Churchill




Qual a palavra
Em festa e florida
Coroada de rosas miúdas
E camélias entrelaçadas
Capaz de romper o silêncio
Afiado num esmeril molhado
Que faz uma faca afiada
Degolar um bem querido?

Qual a palavra sagrada
Que tem unguento
Que cura chaga
É proferida na noite
No meio de uma encruzilhada?

Qual palavra é capaz
De passar a limpo
As pancadas
Os castigos sem motivos
Pela embriaguez das madrugadas?

Qual a palavra  perfeita
De poder pra perdoar
O momento que a vida machuca
Sem nem saber porque machuca
Apenas pelo alívio em machucar?

Corre, te esconde
Se proteja
Faz uma prece
Sê batizado
Nasce de novo

Pede pra Ela
Suplica pra Ele
Troca essa pele
Antes que te entreguem 
A vil decrepitude

Antes que te encontres
 Sozinho
Triste e desprezado
Sem teu maior bem:
Tua dignidade

Qual a palavra
Colorida e adornada
Guirlanda enfeitada
Vem acompanhada por harpas
Címbalos e alaúdes
Capaz de romper a madrugada?
A aurora já vem vindo
"Desperta tu que dormes!"
Sandra May


Obs: A primeira e a última estrofe tem oito versos cada. As outras, cinco versos cada. Todas sem compromisso com rima ou métrica.

Ainda não sei quando voltarei a postar com frequência. Eu havia dito aqui que pretendia publicar alguma coisa de 15 em 15 dias, sempre as segundas-feiras. Mas não deu.
Um abraço em todos!



"Se faltar a palavra as Letras Não Se Movem."


Poderá gostar também de:
CLANDESTINOS