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QUANDO VIER A PRIMAVERA


Quando vier a Primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. 
A realidade não precisa de mim. 

Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma 

Se soubesse que amanhã morria 
E a Primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo. 

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. 
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. 
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. 
O que for, quando for, é que será o que é. 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 



4 comentários

  1. Sandra, que maneira sutil de se falar da morte. De certa forma, nada muda após a morte a vida continua seguindo seu rumo!
    Tenha um domingo maravilhoso e abençoado!
    Beijos

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    Respostas
    1. Muito obrigada, Vania. Um ótimo domingo pra você e sua família.
      Beijos

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  2. Olá Sandra, boa tarde!!!
    Um belo texto para ser pensado. Tanto que vivemos e nunca nos acostumamos com a morte, ela sempre nos trás angustia e dor, sempre carregada de muitas saudades e muitos sentimentos.
    Um abraço!!!
    Paz e Luz!!!

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  3. Obrigada pela sua visita e comentário, Anna!

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