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Amadora, metida a poeta. Não me levem muito a sério...rss!

MADEIRA DE LEI VIVER

Imagem:Pixabay

Bem mais que no mundo
De tudo fujo, todo sujo de esperança
Branca lembrança da espera criança
Na ânsia do Viver

Sempre no refúgio
Do sorriso mais puro, ou num urro
No berro do serrote a comer
Madeira de Lei viver

O machado (sofrer) faz o talho
Retirando o orvalho da certeza crer
Que não basta nascer, crescer, morrer
É preciso sonhar o viver

Bem mais fundo
Que o poço sem fundo da solidão
Da profundidade do amar
Venho buscar-te, ó vida querida
Já és quase passado
Quase coisa esquecida

Traz-me a paz
Peneira que encobre a guerra
Mostra-me a luz
Que dissipa as incertezas da noite
Traga-me o amor, fantasia, enredo
Folclore de nossas vidas

Deixa-me vida, viajar
Na estrela rara e vulgar
Da vã consciência
Mas, buscando o meu "eu"
E o porquê de ser centelha
Da luz maior que é Deus.
Walter Moreno (2012)






                                                                                                      
                                                                                                         


A DANÇA DOS OLHOS


Óleo sobre eucatex - Sandra May / 1989


A dança dos nossos olhos
é muito mais que beleza
é o contraste das luzes verdes
refletidas bem no fundo
nos castanhos olhos embaçados
pela emoção de estar contigo

a dança dos nossos olhos
é muito mais que encanto
é o surgimento das lágrimas
que formam o pranto, que desce no rosto
salgando os lábios, despertando desejos
mostrando sorrisos felizes.

A dança dos nossos olhos
substitui as palavras:
é o idioma do amor que dispensa a voz
que só entendemos nós

A dança dos nossos olhos
vem sempre antes e depois do abraço
é o caminho trilhado por nossos lábios
para ficarmos "sós" e janela para fora do mundo.

A dança dos nossos olhos
antecede um beijo profundo
é o nosso limite do mundo
fronteira com a felicidade de sermos nós.
Walter Moreno











ESPECIAL - A íntegra da entrevista de Lula ao DCM e à Tutameia - 05 de maio

Isto não é uma entrevista é uma aula de um mestre ensinando como governar um país
Li nos comentários 


Se o Brasil fosse um país onde a aplicação da lei não fizesse distinção esse Moro já estaria preso há muito tempo, lembram da divulgação de conversas da Presidente Dilma com Lula autorizada por ele?

QUANDO AS AVES VOAM


Quando as aves voam
Imigrando ao infinito
Eu me vejo tão perdido
Que agregado as sigo em vão...

Quando as aves voam
Vou aos poucos percebendo
Que mesmo essas hábeis aves
Se cansam ao voar contra o vento

Quando as aves voam
Batem-me as asas da esperança
De volver quem sabe um dia
Onde a consciência deixou a criança...

Quando as aves voam
E no firmamento pontos vão tingindo
Estreitam o horizonte aos meus olhos
Que as estavam perseguindo.

Mas eu também posso voar
Quando dou asas aos sentidos
E assim posso ver tantos horizontes
Quanto tenho perdido...
Valter Moreno

HELENA

Escrevi este poema no dia 11 de maio de 2012.  Era  o dia das mães...
O título original é MÃE.

Imagem gratuita  Pixabay

De tantos dias esperando
Incansavelmente não perdeu a fé
De chegar não se sabe onde
De encontrar-se com  não se sabe quem
Assim os dias foram passando
Moídos com mãos pacientes
Desfiados um a um

E tantos tempos foram passados
Que sua pele enrugou-se em vincos
Como sulcos de terra seca
Como verniz velho, craquelado
Como das árvores muito velhas
As velhíssimas árvores avós

E os sonhos?
Ah, os sonhos!
Aqueles se mantiveram intactos 
Havia bebido da fonte da juventude
Porque ela conhecia O segredo

Das lembranças ?
Guardava as bandeiras brancas 
Tremulantes em varais ao vento
Roupas enxaguadas em águas de anil
Coisas do passado

E dos dias de luta restou a paz
Da certeza do papel cumprido
Dos travesseiros livre dos espinhos
Dos lençóis de algodão macios

Assim dormiu
Deixando meu coração tão vulnerável e oco
Assim dormiu
Em começo de noite
Deixando minha vida em total eclipse
Congelado momento
Assim dormiu minha mãe
Assim dormiu a minha Mãe.

É sempre uma dor imensa 
A falta que me faz
E a tua lembrança, mãe!
Sandra May

Recomendo visitarem o blog A Mulher e a Poesia, da escritora portuguesa, Elvira Carvalho, que publicou este meu poema no seu espaço em homenagem ao dia das mães.
Gratidão, Elvira!

SUBTERRÂNEOS

Boa noite, meus amigos!



Embaixo desse asfalto
dos saltos e seus altos e baixos
sob esta grama
sob nossos pés e o rolar das bolas
nos campos de futebol
abaixo desse andar térreo
também conhecido por underground
ratos fazem a festa
e a gente nem se dá conta.

Nos subterrâneos
nossos fétidos feitos
e nossos dejetos
formam um mundo a parte,
de quem partiu cedo ou tarde
sem luz nem sombras
sem cruz nem espada.

...e os ratos que não roem mais as roupas do rei de Roma
aninham-se nas roupas dos cadáveres
devorando suas carnes.

Enquanto isso, uma flor delicada rompe o duro asfalto..
Sandra May