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Amadora, metida a poeta. Não me levem muito a sério...rss!

EM TEMPOS DE GUERRA

Foi no dia 25 de outubro de 2011 que eu escrevi este texto, uma das primeiras publicações do blog.

Amigo, antigo, agosto, agora, agrado, antílope, antiquário, autônomo, altruísta, augusto, agradável. Abominável, albergue, alface, anão, avião, alçapão, alemão, áspero, apático, aptidão, algodão 
Anjo, arcanjo, aquarela.

Em dias de chuva
Cheiro de terra
Cheiros de guerra
Aguardando jovens jardineiros
Que descansam sobre a grama
Sob a lama, sujando a honra

Os uniformes camuflados
Manchas de nada
Imitam quase tudo
É a guerra
É a terra

São as lágrimas que já não escorrem
Pelas faces sujas de poeira
Secaram!
...e se não tivessem secado
Escorreria barro
Pelos rostos amargos
Rostos quase apagados
Como fotos muito antigas
Como tempo passado
Que vai apagando memórias
Desvanecendo velhas histórias
Sonhos
Muitas saudades

Tudo volta ao princípio
Completa o ciclo
Se tornando nada
Começo do tudo

Rostos amargos
Menos grama
Lágrimas
Outros jovens jardineiros
Sob a lama.
Sandra May



Parafraseando Sandra

E sobre a terra agora ressequida
Passada a guerra, até onde a vista alcança
Flores, muitas flores, vida,
Vida após a morte, a morte da esperança!
Ed Bellows

Querida amiga Sandra, revendo tudo isto agora, 10:04 hs de 01/12/2015, quase um mês depois, sobreveio a emoção e quase não conseguia ler em voz alta, para minha esposa. Deve ser a resposta deles, de lá do outro lado...
Parabéns. É assim que são os verdadeiros artistas, que conseguem tocar fundo!
Bjs

   Aos mortos, flores e lágrimas!
Aqui está o link da postagem original

31 comentários

  1. Forte, profunda e tão tocante tua poesia... Que eles descansem todos na paz! beijos, chica

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  2. "Tudo volta ao princípio
    Completa o ciclo
    Se tornando nada
    Começo do tudo"
    Minha amiga Sandra, parabéns por este belíssimo poema.
    O tempo passado sobre a data da escrita tornou-o poderoso.
    Deixo uma palavra mais para a sua lista: ANGÚSTIA.
    Beijo e bom domingo.

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    1. Obrigada pela gentileza da visita e pelo comentário elogioso e incentivador.
      Um abraço brasileiro!

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  3. Bom dia de paz, querida amiga May!
    Ofertar flores e lágrimas nos resta...
    A história que se repete sem que a gente queira...
    São muitas as lamas onde nós vemos gente enterrada ao longo dos anos.
    Triste demais!
    Tenha um excelente fim de semana domingo!
    Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem
    😍🤩😘

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  4. Oi Sandra, forte demais seu poema e creio que atemporal.
    De várias maneiras a lama nos encobre, seja de modo natural ou causada. São camadas de vidas perdidas, de sonhos...Restam as flores, pétalas...
    A terra é manipulada pelos que não vão a nenhum tipo de guerra, que não sentam na lama à espera da morte.
    Teu poema é rico, muito bem construído, parabéns!!
    Ótimo domingo, amiga!

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  5. Oi Sandra, é engraçado como o tempo sempre nos faz ver que o ontem é hoje e o hoje é amanhã. Seu texto de sentimento profundo, poder-se-ia omitir a informação de reedição, que pareceria atual. É como se o mundo girasse e voltasse ao ponto de partida. A lama escorre e a poesia se eterniza.
    Muito belo e bom amiga, que bom trazer para nós.
    Carinhoso abraço com paz e luz.

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  6. Não sei avaliar completamente o alcance desta postagem, porque não sei o que se passou em Outubro de 2011, porém deve ter sido algo semelhante ao de Brumadinho.
    Um poema de tristeza e compaixão muito belo, que mereceu ser reeditado.
    Os parentes dos sinistrados com vidas amputadas que urge equilibrar...
    O meu terno abraço solidário.
    ~~~~~~~~~~~~~

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    1. Olá, Majo!
      Vim especialmente responder ao seu comentário. Como eu disse no e mail, estou com o computador na revisão e por enquanto só no celular, onde não tenho muita familiaridade...
      Respondendo ao seu questionamento: não houve nada em Outubro de 2011 que justificasse o poema, nenhum acontecimento específico.

      O que houve foi que estava chovendo e eu me lembrei de quando meu pai contava sobre a segunda guerra mundial. Ele servia o exército na época e perdeu vários amigos que foram à Itália. Ele contava que por sorte e proteção de alguém (possivelmente) na última hora cancelavam o nome dele da lista dos convocados.
      Fiquei meditando sobre as guerras, a do Vietnam, quando eu era adolescente, e tantas outras... sempre ouvi sobre guerras, infelizmente!
      Foi assim que saiu o texto, Majo.
      Breve eu estarei mais presente, e responderei a todos os comentários e farei mais visitas.
      Beijos!

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  7. Oi Sandra,
    Estou com muitas dores, só respondo a hora que da.
    Daqui a pouco me entupo de um remédio fortíssimo, aí vai melhorando e trato de não demorar a dormir.
    Você escreve com a alma, gostei demais.
    Eu não tive tanta saudade, não fui criada com minha mãe, pois amor não se vende, nem se compra.
    Eu tenho saudades das minhas proeza quando criança, mas apanhava muito, demais...Sobrevivi.
    Adotei um nenê de 10 dias quase morto, ele ganhou e ganha muito amor d da sua mãe(eu) e do meu marido.( 2º marido ).
    Meu filho tem 36 anos é: economista, contabilista, funcionário Público e presta serviço par o SEBRAE, inglês fluente( tem uma rede de pessoas que ajudam pessoas cegas que moram sozinhas com suas empregadas e, com seu inglês fluente os ajudam nas compras, no valor que deu a empregada,vê o que foi comprado e o troco). Era uma ajudante e tanto.
    Reminiscências mil
    Beijos no coração
    Lua Singular

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  8. É assim, gente de alma sensível e compassiva como a tua, Sandra, sente mais as dores do mundo. A coisa mais difícil que há, na minha opinião, é conseguir ser leve sem ser ignorante, porque ignorando o que acontece ao nosso redor é simples, nesse caso qualquer um consegue. Mais raro é ver gente que não pensa apenas em nutrir a flor do próprio umbigo, mais raro é gente como tu. Um abraço.

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    1. Fico feliz por saber que existem muitas pessoas sensíveis assim como você, Ulisses . Pessoas que percebem o outro são pessoas raras.
      Se você me percebe sensível, é da mesma forma que percebo você, saiba disso, que muito o admiro.
      Um abraço e ótima semana pra você .🦄

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  9. Pouco aprendemos com o correr do tempo em matéria de comportamentos. Mas tenhamos esperança de que daqui em diante só os ciclos da natureza se repitam.
    O seu poema é soberbo. Parabéns pela inspiração, já que talento nunca lhe falta.
    Sandra, continuação de boa semana.
    Beijo.

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  10. Uma linda e sensível homenagem.
    Muito feliz por ter encontrado esse espaço que além de lindo, é repleto de alma, parabéns!

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    1. Obrigada, Lucy. Também estou encantada com seu blog. Acabo de vir de lá, e me chamou atenção quando você descreve a menina romântica desenhando um coração na vidraça enquanto os irmãos, lá fora, disputam as melhores poças... parabéns!

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  11. Sandra, querida, temo que seu poema maravilhoso será atual em qualquer tempo...
    Malditos seja, os homens que criam as guerras quando se poderia cultivar a paz amenizando tanta desigualdade...De vez em quando um doido toca o sino e mesmo que uma guerra para valer não aconteça é suficiente para muitos morrerem sem nem ao menos saber o porquê.
    Foi um prazer reler, relembrar, o vídeo também é maravilhoso, qto sentimento nesta voz...
    Abração e boa noite!

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    1. Obrigada pelo seu tempo aqui, Dalva!
      Beijos, e ótimo fim de semana.

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  12. Talvez a passagem do tempo, como bons vinhos, se adapte a esse belo poema.

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  13. Um bom domingo de feliz semana Sandra.
    Sempre bom reler estas maravilhas de inspirações.
    Bjo amiga

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  14. Uma elegia. Pura, simples e tocante.
    Abraços.

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  15. Sandra, muito prazer em conhecê -la. Vim aqui agradecer seu comentário lá no blog. Ainda não tive tempo para ler porque estou sem tempo agora. Gosto de ler as postagens à noite, antes de dormir. Até lá. Bjs

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    1. Muito prazer, Helena!
      Obrigada por sua visita.
      Um abraço!

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