POSTAGENS RECENTES NO BLOG

Amadora, metida a poeta. Não me levem muito a sério...rss!

Bucólicas (Hilda Hilst)

O pássaro desenha
No seu voo estrangeiro
(Porque nada sabemos
De pássaros e voos
E do impulso alheio)
Um círculo de luz.
E retorna depois
Numa azul claridade
Seus píncaros azuis.

Bucólicas
Hilda Hilst

Ficheiro:Hyacinth Macaw - Nashville Zoo.jpg

BEIJO NA BOCA (Cacaso)

Poesia
Eu não te escrevo
Eu te
Vivo
E viva nós!

(Cacaso, Beijo na boca e outros poemas, 1985)

Escultura de Constantin Brancusi

Simplicidade

Fotografia autoral

ÁGUA EM VINHO

Reutilizando materiais descartáveis podemos além de poluir menos, criar objetos artesanais  incríveis!
Vamos de inspiração...


Bobina de linha e rolos de fita adesiva, de papel alumínio e outros


podem se transformar em vasinhos para arranjos com flores secas !


Bracelete de papelão forrado com sobras de tecido...lindo!


Essa pulseira foi trabalhada com filtro de café e ganhou fecho de imã. Uma colagem do Pão de Açúcar
fez a diferença e deu charme a peça.


Brinco feito de papelão com detalhes de pedrinhas e colagem, lindo!
Sandra May 

AMAR (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)


Porque Deus amou o mundo de tal ...João 3. 16

Que pode uma criatura senão,

entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.

(Carlos Drummond de Andrade)

O PESADELO DE ALICE