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SENTIMENTO DO MUNDO

Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos, 
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer
mais noite que a noite.
Carlos Drummond de Andrade



8 comentários

  1. uma poesia maravilhosa!! a tua frase em destaque me calou fundo no coração. belo!! bom domingo, bjs

    http://mentedesencaixada.blogspot.com.br/

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  2. Boa noite, Sandra!
    Duas mãos e o sentimento do mundo! Belo trabalho literário de Carlos Drummond de Andrade, destaque seu perfeito!
    A reflexão é que atualizando o tema, teríamos que ser como o polvo, que tem como mãos vários tentáculos, tais os problemas da atualidade que só aumentam dia a dia. Mas tudo isto está previsto e Deus está no comando.
    Boa semana. Bjs

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  3. Oi Sandra! Lindo poema de Drummond!Ele é maravilhoso.Boa semana.Bjs

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