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As mãos de meu pai

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já da cor da terra
- como são belas as tuas mãos
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram da nobre cólera dos justos…
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas…
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente, vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das tuas mãos!
E é, ainda, a vida que transfigura as tuas mãos nodosas…
essa chama de vida – que transcende a própria vida…
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.
Mario Quintana )
(Poema publicado originalmente no livro Esconderijos do Tempo, retirado de Poesia Completa – Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 491)


8 comentários

  1. Que linda foto, palavras e homenagem! Parabéns à ele! beijos,chica

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  2. que lindo poema !!
    que lindo é ler Mário Quintana. seu blog sempre nos traz estas mensagens tão bonitas, é muito bom passear por aqui !!
    grande abraço Sandra , e desejo uma semana abençoada!!
    :o)

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    Respostas
    1. Obrigada pelas palavras carinhosas, Eliane. Que você tenha uma excelente semana, também abençoada!
      Beijos!

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  3. Gostei muito de conhecer este seu blogue.
    Obrigada pela sua visita ao meu intemporal-pippas.
    Bom texto neste seu post.
    Voltarei sempre que possa.
    Irene Alves

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