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NINGUÉM

Porque preciso ser  também Clarice
Na maioria das vezes
Me alimento de ilusão
Às vezes alguma carne
Pra que não me encarne num sujeito qualquer
Simples, composto ou até oculto
Sem predicado???
Porque preciso de Clarice
Me torno tão distante e só
Como só, é a hora da morte
Sorte dos que compreenderam
Quanto tudo é passageiro e fugaz...
E porque não caibo em mim mesma
Invento e reinvento, até vestir as várias meninas
Guardadas em tempos vários
Tempos que não foram feitos pra relógios
...e vai levando a vida
Quem tem coragem bastante
Pra viver simples assim
Escrever o que quiser
E estar sempre atenta
De não deixar faltar o pão.
Dar graças por tudo
Ainda que sangrando, voar
Em busca de algo ou alguém
Que se introduza no seu coração.
Precisa ser Clarice
E, como Macabéa, não desesperar...
Ps: Também sou um objeto urgente!
Sandra May

Sou um objeto sem destino. Sou um objeto nas mãos de quem? Tal é o meu destino humano. O que me salva é o grito. Eu protesto em nome do que está dentro do objeto atrás do atrás do pensamento-sentimento.
Sou um objeto urgente.
Clarice Lispector  -   Água viva, 1973, 104


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