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DE MÃOS DADAS


Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.


Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade

Imagem autoral editada por mim
Sandra May




2 comentários

  1. ...não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas!
    Ah, se o mundo ouvisse os poetas na sua essência, com certeza seria outro este mundo!
    De Kalil Gibran a Carlos Drummond de Andrade, entremeados por todos os outros, seria muito melhor!

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